Experiências

A Corrupiola completa 6 anos!

Agosto é o mês de aniversário da Corrupiola, uma data que marca não só o início da primeira postagem aqui neste blog em 2008, como também o mês no qual refletimos sobre o passado e o futuro deste pequeno empreendimento que nasceu com tanto amor para oferecer.

A felicidade é sempre grande ao olhar para trás e ter a certeza de que nossa história vem de um percurso de conquistas  (e erros também) ano após ano. A aposta em um sonho com desapego material, envolvendo a mudança de estilos de vida e também se agarrando nas belas e pequenas coisas tornaram nossa vida ainda melhor. E nossa história continuará  assim, com voos pequenos, mas seguros, apostando nas experiências contínuas e fazendo do trabalho manual nossa meta e inspiração. Isso significa ir contra uma corrente tecnológica instalada e em desenvolvimento que muitas vezes sufoca o pequeno empreendedor. Mas é bom também saber que neste mundão globalizado ainda existem pessoas sensíveis que curtem um trabalho diferente, onde a mão humana é mais importante do que uma máquina que opera de acordo com a demanda consumista. Excluímos a parte ruim da tecnologia (a produção em massa, a despersonalização…) e abraçamos a facilidade de estabelecer novos contatos através das redes sociais, independente de limites geográficos. Sem essa teia de contatos, clientes, amigos e seguidores, a Corrupiola não existiria, ou pelo menos não teria o alcance que tem hoje em tão pouco tempo de vida.

Este mundo de experiências contínuas envolve também mudar, e desde o ano passado a Corrupiola está em nova fase. Embarcamos em mais um projeto em comum: a pesquisa literária. Estar no ambiente acadêmico, entre estudantes e professores, entre livros e em busca de conhecimento, neste universo de aprendizagem contínua, é extremamente envolvente. A Corrupiola hoje se transfigura também em pesquisas e nossa experiência com os trabalhos manuais é também nosso objeto de estudo, pois a nossa pesquisa acadêmica só tem sentido em conjunto com essas práticas. O equilíbrio, portanto, se faz necessário com uma pitada de teoria e outra de prática. Dentro de um ambiente acadêmico rico em situações catalizadoras, como é a UFSC, nossos objetivos se concretizam através de pesquisas sobre criação, craft, tipografia e outras técnicas manuais de reprodução. É um novo campo de exploração que exige tempo e dedicação tão intensos quanto o trabalho manual que sempre realizamos na Corrupiola. Portanto, um certo recolhimento foi necessário nos últimos tempos, pois o labirinto de nossas novas descobertas e experiências ganha forma em outro suporte: a escrita.

Além disso, uma boa novidade que passamos a oferecer nos últimos meses, foi a produção de nossas próprias ferramentas de produção, que agora podem ser adquiridas em nossa loja e são produzidas com os mesmo cuidado e ideais que sempre buscamos na fabricação de nossos cadernos: peças únicas, montadas uma de cada vez, com toda a atenção para os pequenos detalhes e com o máximo de aproveitamento dos materiais empregado.

Também começamos a oferecer nossos serviços de impressão tipográfica para projetos de terceiros e dessas parcerias nasceram belos projetos, que logo divulgaremos em nosso novo site, que já está em produção e logo será lançado. Um site mais bonito, dinâmico e acessível, com novas ferramentas e possibilidades e é claro: com novos produtos e lançamentos que estamos preparando para os próximos meses.

E nosso abraço é para você, querido seguidor de nossas experiências corrupiolescas, que sempre nos motiva a diversificar nosso pequeno universo manual e intelectual ;-)

Definição de um artesão moderno

(Simon Mills, editor do Bespoke da Wallpaper)

Cada ideia possui uma dívida para com aqueles que vieram antes dela. O gênio do artesanato moderno consiste em fazer seu trabalho exalar um aroma verdadeiramente fresco.” (Família Nolet )

Hoje, dia 19 de março é dia do artesão. Gostaríamos de discutir o papel do artesão na sociedade em que vivemos hoje, mas por hora deixaremos apenas algumas definições que encontramos neste site, referentes ao artesão moderno. Já faz algum tempo em que estamos desenvolvendo um artigo sobre as mudanças que a palavra “Craft” vem sofrendo, suas definições ou a falta delas, mas deixaremos para um próximo momento.

O artesão moderno pode sempre inovar com materiais contemporâneos ou aproveitar a última tecnologia. Ele é capaz de desenvolver um trabalho comercialmente, sem comprometer sua autenticidade. Ele pode nos inspirar a olhar para um artesanato tradicional com um novo olhar. Seja qual for seu trabalho, ele sempre será uma reprodução única, contemporânea e criativa das técnicas mais tradicionais.”

 

“Um artesão moderno é alguém que usa os pilares do passado para construir algo indiscutivelmente contemporâneo, alguém que demanda mais de seu trabalho e arte, e assim cria seu próprio legado.”

Feliz 2013!

Que o Ano Novo traga muita alegria, paz e novas realizações!

Um abraço bem apertado em você que sempre nos acompanha :)

De bicicleta pela Transamazônica

A partir desta semana estaremos ligados nas Olimpíadas de Londres e assistindo aos atletas de todo o mundo superando seus recordes e limites físicos.

E aqui no Brasil, no dia 28 de julho, três corajosos homens darão início a uma aventura que exigirá muito esforço físico e superação. O Daniel, Marcelo e Valdinei (nosso cliente e amigo bicicleteiro!) percorrerão de bicicleta o trecho em que a BR-230, a Transamazônica, corta o estado do Amazonas.

Serão 1.228 km de estrada de terra de Lábrea, no Amazonas, até Itaituba, no Pará. A viagem deve durar dois meses e a equipe compartilhará informações que podem ser úteis a todos os que tiverem interesse em viagens de aventura, cicloturismo, bicicletas ou na Transamazônica em si.

A Corrupiola forneceu os cadernos para as observações e tudo o que for preciso anotar, e também estará ligadona nesta super aventura. Será prazeroso compartilharmos esta viagem de longe e querendo muito estar perto!

Eles poderiam tranquilamente ir de moto ou carro, sem nem precisar olhar para os lados, sem a preocupação com mosquitos, calor ou cansaço. E perder o essencial? Pedalando eles terão a vantagem de atravessar a Amazônia, a maior floresta tropical do planetacom calma e respeito. Ouvir, conviver, observar, conhecer e aprender. 

Desejamos uma ótima aventura, muita energia positiva e quando puderem, mantenha-nos informados! ;)

Para saber mais, acesse: Cicloamazonia.org ou facebook/cicloamazonia

Bibliotecas, livrarias e sebos

Acredito que o primeiro passo para se conhecer bem uma cidade é visitando sua biblioteca e examinando alguns dos elementos que a definem: sua arquitetura; a quantidade e qualidade das publicações à disposição; a cordialidade das pessoas para quem você pede informações; o silêncio dos frequentadores e por uma série de fatores que denunciam esse enclave das letras que é uma boa biblioteca, quase uma zona neutra que deveria ser tão bem protegida quanto uma embaixada.

Impossível não criticar nossa própria realidade: onde moramos, em São José, existe apenas uma biblioteca incipiente e quase desapercebida, em um edifício tombado no “Centro velho” da cidade. O lugar poderia ser perfeito, cercado de belos cafés como o Café da Corte, mas infelizmente é um depósito de livros velhos sem a devida atenção do poder público, que não mantem atualizado o catálogo de publicações disponíveis. No município vizinho, Florianópolis, a situação não é muito diferente: há pouco tempo o governo tentou municipalizar (como se fosse um peso morto) a principal biblioteca estadual, que é pouco convidativa e também incipiente. Felizmente, contamos com outras opções e além de algumas coleções particulares, temos a BU (Biblioteca da UFSC) com sua bela e aconchegante arquitetura, que nos convida a ficar e ler todos os livros.

No ano passado, quando estivemos em Curitiba, passeamos pela cidade com nosso amigo Arthur e dentre os lugares visitados, estava a imponente Bibioteca Central. Eu já conhecia e frequentava o prédio quando passei meus 7 anos de faculdade na cidade, mas desta vez era diferente, entrei na biblioteca com os olhos de visitante, não mais de frequentadora assídua. E como numa visita a um museu, estava à procura de tesouros preciosos, revendo sua arquitetura, decoração, seu contexto histórico e observando os ‘ratos’ fuçando nas estantes e também seus funcionários, que dela se alimentam todos os dias. Trabalhar numa biblioteca deve ser extraordinário!

Em nossa recente viagem ao Velho Mundo não foi diferente. Visitamos todas as bibliotecas que pudemos, e também lojas de livros e sebos. Nosso olhar estava voltado para o papel, para os livros.

Nas fotos acima e abaixo, vemos a Biblioteca de Bruges, na Bélgica. Uma cidade com quase 117 mil habitantes e com uma biblioteca muito aconchegante. Muitas pessoas circulando, crianças brincando, jovens escutando música, adultos pesquisando, idosos descansando. Todas as idades num lugar realmente convidativo.

Wi-fi para todos!

Abaixo, uma foto da Biblioteca da Antuérpia, também na Bélgica. Muitos HQs e jovens circulando dentro do prédio. Um lugar de leitura e lazer.

Em Londres, na British Library eu imaginava encontrar esta foto do meu imaginário. E foi difícil aceitar que aquela imagem não existe mais, segundo nos informou uma funcionária. A Biblioteca é relativamente nova — se comparada a todos os outros prédios da cidade — e as salas de leitura são acessíveis apenas aos frequentadores cadastrados. Como estávamos de passagem só foi possível circular pelas áreas comuns. No centro da Biblioteca há um cubo de vidro enorme, com muitas estantes de livros, e o acesso ao interior do cubo é somente para funcionários, mas o visitante circula o cubo de livros o tempo todo, tanto nas escadarias, como também na cafeteria e espaços de descanso.

UPDATE 24/04/2012: A British Library fica ao lado da estação St. Pancras e o acesso é muito fácil e um passeio imperdível para quem está em Londres. A Biblioteca tem salas de exposições temporárias e permanentes (grátis) e lá é possível ver de perto originais e manuscritos raríssimos como um exemplar da primeira bíblia impressa por Gutemberg, manuscritos de Shakespeare e Sir Conan Doyle, e até os rabiscos e doodles de letras que originaram as músicas dos Beatles, alguns sobre guardanapos que provavelmente foram escritas em algum pub de Liverpool!

Abaixo, fotos de uma loja de livros em Utrecht, na Holanda.

E um sebo com uma escultura muito inspiradora na Antuérpia:

Para o Arthur, que está de malas prontas, e para todos os viajantes, boa aventura!

Sint-Jansvliet Markt

Em janeiro conhecemos um lugar bem bacana na Antuérpia, a pequena praça Sint-Jansvliet, que durante a semana permanece vazia e também funciona como espaço para esportes, e aos domingos é cheia de movimento com uma feirinha de antiguidades. O silêncio da foto acima é completamente modificado quando a feira funciona e o som das conversas se mistura com o som dos gramofones que são vendidos lá.

Nós somos aficcionados por antiguidades! Ficamos bem animados com tantas peças diferentes e em especial quando vimos uma barraca vendendo tipos e clichês antigos.

A variedade era grande e a vontade de trazer tudo também!

Havia muitos clichês de rótulos de cerveja, feitos em grossas placas de cobre.

Muitos tipos de madeira e uma caixa de clichês que fixou nossa atenção pela beleza do conjunto.

Uma coleção de “Santos”. Diante de tantas preciosidades, escolhemos a dedo os clichês abaixo. (O “dedo” aqui significa uma equação muito dolorida entre $$ versus o peso da mala!)

Passamos horas apreciando esta feira que tinha também outras raridades e vendedores bem simpáticos. O senhor da foto abaixo vendia porcelanas lindíssimas e falou um bocado conosco em flamish. Mas nós não entendemos flamish! :/

A música tocada no gramofone animou aquela manhã gelada. Realmente estava muito frio naquele dia. Nós estivemos lá em janeiro, mas veja nesta foto como esta praça é linda no verão.

Havia muitos livros e muitas gravuras. Vontade de comprar tudo!

Em frente à praça Sint-Jansvliet fica o acesso ao Sint-Annatunnel, um túnel com 572 metros de comprimento e 31 metros de profundidade, que passa embaixo do rio Scheldt. O túnel para pedestres e ciclistas foi construído entre os anos de 1931 e 1933 e ainda conserva seu estado original, como essa antiga escada rolante abaixo, toda feita de madeira.

Se você gostou da praça e do túnel, conheça mais sobre eles: sua localização fica aqui e neste vídeo você escuta o som da feirinha. Em nosso Flickr você verá mais fotos do túnel e da praça.

Bom feriado!

Um encontro especial

O encontro com Thereza Rowe, a criadora dos Love Cats,  foi um dos momentos mais emocionantes da nossa viagem de férias, em janeiro de 2012.

Levamos conosco uma mala recheada de Love Cats e quando o dia do encontro chegou, parecia um momento mágico. Estávamos em Londres, e toda a história do trabalho retornava à nossa memória. Foram três anos de conversas online, desde o dia em que escrevemos um post sobre os desenhos da Thereza, até o lançamento dos cadernos em dezembro passado. De repente, estávamos do outro lado do hemisfério, no escritório de Thereza e ao mesmo tempo tão longe de nosso atelier, onde os Love Cats haviam tomado forma.

Havíamos combinado um chá da tarde, mas acabamos nos atrasando e chegamos apenas ao entardecer. Toctoctoc e lá estava ela, sorridente, feliz. O encontro se concretizou e foi agradabilíssimo! Uma mesa com vários docinhos coloridos nos esperava, e estávamos rodeados por paredes cheias de detalhes e desenhos delicados, assim como Thereza. A conversa estava ótima, mas precisávamos pegar o metrô de volta para o hotel, pois já era tarde e poderíamos ficar sem o transporte público. Ficamos pouco tempo em Londres e não pudemos repetir o encontro. Conhecemos um pouco do seu mundo e esperamos que um dia ela venha conhecer o nosso.

Conhecemos sua gatinha, e matamos um pouquinho da saudade dos nossos felinos!

E voltamos para casa com muita arte na bagagem! Quantos presentes lindos!

 

Nós amamos bicicletas

Na semana passada, a estatística das tragédias no trânsito aumentou com a morte de mais uma ciclista, desta vez na Avenida Paulista, em São Paulo.

E por que é tão arriscado andar de bicicleta no Brasil? Porque faltam ciclovias todos nós sabemos, mas tem alternativa? Dá para dividir o espaço nas ruas ou avenidas entre carros e bicicletas? Daria… se houvesse mais educação no trânsito, e sobretudo se o ciclista fosse respeitado como um motorista portando seu veículo de transporte, e não apenas aquele que passeia ou atrapalha o trânsito.

Se para um pedestre já é difícil atravessar em uma faixa de pedestres, quem dirá um ciclista, que não pode trafegar nem na calçada, nem na pista. Então, aonde pedalamos? Naquele micro espaço entre a calçada e a faixa da rua? Esta é a triste realidade de quem se aventura a andar de bicicleta no Brasil. Mas poderia ser diferente, e como seria lindo se tudo fosse diferente…

Nestas férias, experimentamos uma outra realidade. Nos Países Baixos, a regra é básica: quem tem a vez é o cavalo (como em Brugges, para transporte turístico), em segundo são os pedestres, em terceiro as bicicletas e, por último, os carros, que dentro das cidades só causam incômodo. A ordem é esta e as multas são caras. Simples não é? Nem tanto. Lá tem boa vontade política e planejamento urbano, respeito ao próximo, leis rigorosas e bom censo das pessoas.

Nós utilizamos a bicicleta não só como passeio, mas como meio de transporte em nossa rotina diária e, na Holanda, presenciamos o que poderia ser o ritmo de vida ideal: muitas, muitas ciclovias, e milhares de bikes circulando apressadamente, num trânsito nem um pouco caótico pela quantidade de magrelas. É preciso sempre estar atento para não bater, tampouco ser batido (pausa) por outras bicicletas.

Lá, vimos pessoas de 8 a 90 anos andando de bicicleta, e se o idoso não consegue mais pedalar numa bike normal, tem a opção das motorizadas. Como se vê na foto acima, toda a família cabe numa bike. E nos pontos estratégicos da cidade (estações de trem, metrô, aeroportos, centros comerciais) encontram-se os enormes estacionamentos.

Em outras cidades da Europa a paisagem muda, mas as bicicletas nunca saem de cena. Em Paris não há tantas ciclovias e o trânsito é mais caótico, com muitas motocicletas. Há também bikes de aluguel e com pouco mais de 1 euro por dia, você pega uma bike num lugar e devolve em outro.

Do filme Before Sunset, você lembrará deste lugar, o Le Pure Cafe. Em frente tem um ponto das bikes Vèlib.

As charmosas bikes vintage estão super na moda.

É difícil não ver uma bike nas famosas paisagens de Paris. A foto acima foi clicada enquanto estávamos sentados num banquinho e apreciando a Torre Eiffel. Na foto abaixo, estávamos em frente à livraria Shakespeare and Company, com fundos para a Catedral de Notre Dame, onde havia mais uma magrela estacionada.

Em Londres, vimos muitas dobráveis e bikes para alugar em vários pontos da cidade, mas não arriscamos pedalar por causa da mão inglesa. Lá, encontramos uma amiga que há tempos não víamos e ficamos até tarde num Pub. No final da noite nos despedimos e ela foi pra casa. Como? De bike. Perguntamos se era perigoso e ela prontamente nos respondeu: “Claro que não”! E tem mais, lá, as empresas oferecem “ecoChecks” para seus funcionários comprarem bikes com descontos. Legal, não é?

Se comparada com a Holanda, a Inglaterra tem menos ciclistas, mas repare na foto abaixo, no tamanho do estacionamento de bikes da estação de trem e metrô de Paddington.

O lugar onde mais aproveitamos para pedalar foi na Antuérpia, onde ficamos hospedados. Foi lá que vivenciamos com duas rodas e por poucos dias o ritmo da cidade, e foi inesquecível pedalar pelo parque Middelheim, assunto para outro post.

Na foto abaixo, a bela moça teve tempo suficiente para enviar uma mensagem enquanto esperava o sinal abrir. Ao fundo, crianças indo para a escola com suas bikes.

Para as pessoas que pedalam diariamente, a bicicleta é uma extensão de seus corpos, e sabemos que não é fácil importar a cultura da Europa para o Brasil, mas se houvesse mais vontade política e apoio da população, poderíamos ter mais ciclovias, remanejar as pistas para os carros e abrir espaços para corredores ciclísticos.

Andar de bicicleta no Brasil, seja em São José ou Florianópolis, ou São Paulo é muito difícil. O que deveria ser saudável torna-se insano, tanto pela aspiração excessiva de monóxido de carbono como pelo perigo. Mas quem precisa, gosta e quer usar este meio de transporte em sua rotina diária não irá desistir. Nem mesmo quando um governo (só para mostrar trabalho) constroi uma ciclovia que parte de um lugar para lugar nenhum, ou quando existe uma que simplesmente acaba no meio do caminho.

Nós temos consciência de que o Brasil é bem diferente da Europa. E também temos a certeza de que, com mais ciclovias e bicicletas nas ruas, podemos viver em um país bem melhor. Uma bicicleta na rua é um carro a menos. É simples, é necessário.

A foto abaixo é da obra do artista brasileiro Eduardo Srur, de 2007, na Avenida Paulista. É lindo, é lúdico, mas na prática não queremos observar as bicicletas no céu, queremos tê-las no chão e de preferência andando, e muito.

Para ver mais fotos deste post, acesse o nosso Flickr.

 

 

 

Museu Plantin-Moretus

Considerado Patrimônio Mundial da UNESCO a partir de 2005 pela sua importância educacional, científica e cultural, o Museu tipográfico da família Plantin-Moretus é uma jóia rara no coração da Antuérpia, mais conhecida pelos diamantes e pelo museu do artista Rubens. Negligenciado nos bons guias de viagens sobre a Bélgica, o museu acaba passando despercebido, mas é um ponto de parada imprescindível para qualquer amante ou estudioso da história das artes gráficas.

A visita começa com a imponente fachada do edifício construído no século XVI e continua com o roteiro sugerido pelos monitores: caminhando por uma sala com originais manuscritos, antes da invenção da tipografia e subindo as velhas escadas de madeira, que rangiam embaixo dos nossos pés. Passando por uma sala escola, onde uma professora contava a história do museu a um grupo de crianças, chegamos a uma sala de vídeo, onde acompanhamos uma reconstituição do processo de impressão ambientada nas próprias dependências do museu, utilizando os equipamentos ainda em funcionamento da gráfica. Enquanto isso, jovens estudantes, provavelmente de artes plásticas, se espalhavam pelo museu com suas cadeiras dobráveis, prontos para armá-las, voltar no tempo e começar um desenho de observação. Após acompanhar o vídeo que reconstituía a história da oficina gráfica, continuamos a nossa visita, um pouco descontentes com a iluminação do ambiente, mas cientes de que a mesma replicava a precária iluminação de velas da época.

O Museu abriga uma enorme coleção de pinturas e tesouros históricos do século 16, incluindo a oficina tipográfica mais antiga em condições de funcionamento. Tudo está muito bem preservado, desde a sala de fundição de tipos, a sala de leitura de prova, onde os eruditos religiosos se sentavam na extremidade dos bancos de uma grande mesa de carvalho, até a sala de impressão.

Para além dos amantes da tipografia, o museu atrai visitantes que se interessam em conhecer não somente a casa de uma família que, por gerações, viveu durante o Renascimento, Barroco e o Classicismo, mas também para entender a sua relação com o trabalho e o comércio nestes períodos da história. Lá se tem uma visão da tecnologia daquela época, associada às ideias e crenças, resultando em obras literárias e artísticas de significado universal.

Gutenberg revolucionou a cultura ocidental ao desenvolver a primeira máquina de impressão com tipos móveis, por volta de 1440, substituindo as cópias manuscritas e permitindo a impressão em massa dos livros. A invenção dos tipos móveis teve um efeito transformador sobre a disseminação de informação.

Em pouco tempo, as prensas tipográficas passaram a funcionar nas principais cidades européias. No entanto, como eram feitas de madeira, estavam sujeitas à decadência pela sua fragilidade, de modo que, encontrar uma prensa ainda em funcionamento, fabricada no século 16, é um tesouro raro fornecido pelo museu Plantin-Moretus.

Após os séculos XIII e XIV, a cidade da Antuérpia firmou-se como um dos mais importantes centros econômicos no mercado internacional e lugar de encontro de artistas e intelectuais. Era um centro de intercâmbio cultural europeu, com a importação de elementos chave em especial da Renascença italiana, necessários para inspirar o Renascimento Flamengo, transformando a cidade em um ambiente propício para o desenvolvimento da impressão. Em meados do século XVI, 140 imprensas, editores e livreiros estavam trabalhando na cidade, onde o mercado do livro assumia uma dimensão internacional cada vez maior. A Antuérpia tornou-se o centro da tipografia, juntamente com Veneza e Paris, e principalmente pelo empreendedorismo de Christophe Plantin (1520-1589), entre os anos de 1555 e 1589. Plantin montou sua imprensa e editora, a Officina Plantiniana com um complexo de oficinas adjacentes à sua residência. Primeiramente fundada com copistas e ilustradores, a oficina tornou-se rapidamente a maior empresa de tipografia da Europa. Com a morte de Plantin em 1589, seu genro Jan Moretus (1543-1610) assumiu e equipou a empresa com as melhores prensas da Europa, e foi graças à família Moretus que a continuidade de suas atividades se manteve até 1867. Esta continuidade refere-se às mesmas funções realizadas no mesmo lugar, e isso explica a homogeneidade da planta do edifício do museu, onde o visitante consegue ter uma visão real das atividades da época.

Ao todo, o edifício histórico compreende a mansão e gráfica fundada por Plantin e, em seu estado atual compreende 35 ambientes, que vão desde o quarto dos proprietários, o escritório de contabilidade, o escritório dos copistas, o escritório dos ilustradores, uma biblioteca, até a oficina de fundição de tipos (no sótão do edifício) e a gráfica com tipos (alguns intocados) e máquinas tipográficas. Na época, a mansão era conhecida como Golden Compass (a Bússola de Ouro), porque ficava no coração histórico da cidade. A mansão explica por si só a sua importância na história da impressão, desde a data da construção do primeiro conjunto de oficinas gráficas até 1871, quando o último da linhagem de impressores e editores abandonou a atividade de impressão, dedicando-se à preservação do patrimônio mobiliário e bens da família, assim como os tesouros acumulados ao longo dos séculos.

Este longo período pode ser dividido em três fases principais:

• A empresa próspera de Plantin até sua morte em 1589, que até esta data, já havia produzido mais de 2.450 obras, foi continuada por seu genro Jan Moretus, que fez os melhores trabalhos de impressão com os melhores equipamentos daquela época; seu filho Balthasar Moretus I (1574-1641) consolidou a reputação da empresa, com a ajuda de sua amizade com Peter Paul Rubens, este artista famoso e criador de desenhos e obras excepcionais do estilo Barroco, e que eram universalmente imitados na segunda metade do século 17; e a reputação internacional da Oficina e sua incomparável qualidade de livros que levou a visitas de poderosas figuras como Marie de Medicis em 1631, rainha Cristina da Suécia em 1654 e um número de príncipes e princesas italianos e poloneses.

• A segunda metade do século XVII marcou o início de um período de declínio para a impressão na Antuérpia. No entanto, a Oficina de Moretus manteve sua posição como a maior de Flandres, e seus livros, principalmente religiosos, foram produzidos para o mercado espanhol e também exportados para lugares tão distantes como a China, e para as colônias espanholas do “Novo Mundo”. De 1715 a 1764, consolidou-se no comércio internacional de exportação de livros.

• Apesar da renovação incipiente no primeiro trimestre do século 19, a situação dos Moretus se deteriorava. Não conseguiram acompanhar a modernização das novas técnicas de impressão, em especial o desenvolvimento de prensas mecânicas e rotativas. Edward Moretus (1804-1880) era para ser o último dos editores da família, e após sua última publicação Horae diurnae S. Francisci, em 1866, teve que cessar a imprensa. Em 1871, ele se tornou o curador e colecionador do patrimônio familiar. Assim, a saga Plantin/Moretus acaba e, em 1873, ele negociou a venda do imóvel com todo o seu conteúdo com o governo belga e a cidade de Antuérpia. Em 1876, é criado o Museu Plantin-Moretus.

Christophe Plantin (1520-1589), encadernador e vendedor de livros, que se estabeleceu na Antuérpia em 1549, após fugir de Paris, aonde pelo menos um impressor já havia sido queimado na fogueira por heresia. Em 1555, a cidade já estava estabelecida como um importante centro de impressão de xilogravuras, gravuras e Plantin abriu sua própria imprensa, e logo tornou-se um líder do comércio de livros.

Seu primeiro livro impresso foi La Institutione di una fanciulla nata nobilmente, de J. M. Bruto, com tradução para o idioma francês. Publicou muitas outras obras em francês e latim, e logo foi reconhecido como o melhor impressor de seu tempo. O trabalho mais importante da Plantin Press é a Biblia Regia, publicada entre 1568 e 1572. Suas edições da Bíblia em hebraico, latim e holandês, o Corpus Juris, clássicos latinos e gregos, e muitas outras obras produzidas neste período são famosas por sua bela execução e precisão. Ele então, planejou uma empresa muito maior com a publicação de um Biblia polyglotta, que viria a corrigir os textos originais do Antigo e Novo Testamento com bases científicas. Apesar da oposição clerical, ele foi apoiado pelo rei Filipe II da Espanha, que lhe enviou o aprendiz Benito Arias Montano para liderar a produção. Com a ajuda de Montano, o trabalho foi concluído em cinco anos (1569-1573). Este trabalho lhe rendeu pouco lucro, mas resultou na concessão do rei Filipe em lhe dar o privilégio para imprimir todos os livros litúrgicos católicos (missal, breviários, etc) para os estados governados por ele.

Além da Bíblia poliglota, Plantin publicou muitas outras obras, como as edições de Santo Agostinho e São Jerônimo, as obras botânicas de Dodonaeus, Clusius e Lobelius, e a descrição dos Países Baixos por Guicciardini. Em 1575, sua imprensa tinha mais de 20 prensas e 73 operários, além de um número similar que trabalhava para ele fora de sua oficina.

Em 1562, enquanto Plantin estava em viagem a Paris, seus funcionários imprimiram um panfleto herético, resultando em seus bens confiscados e vendidos. Parece, no entanto, que ele recuperou muitos dos bens que lhe foi tirado. Entre os amigos estavam dois netos sobrinhos do tipógrafo italiano Daniel Bomberg, que forneceu-lhe finos caracteres tipográficos hebraicos provenientes de renomadas imprensas venezianas.

Em novembro de 1576, os espanhóis saquearam e parcialmente queimaram a Antuérpia. Plantin estabeleceu uma filial de sua empresa em Paris e, em 1583, procurou por outros tipógrafos na recém construída Universidade de Leiden, na Holanda.

Por mais de 200 anos a Officina Plantiniana teve um monopólio, concedido pelo papado, para impressão de formulários litúrgicos. Embora aparentemente fosse um membro fiel da igreja católica, Plantin foi um defensor de outras crenças. Hoje é comprovado que, muitos dos livros heréticos publicados naquela época, vieram de suas prensas.

O museu abriga exemplos de ferramentas utilizadas na época e mais de 30.000 volumes em sua biblioteca.

No sótão está a oficina e ferramentas de fundição.

Moretus e seus descendentes continuaram a imprimir muitas obras na Officina Plantiniana até 1867.

A empresa começou a declinar na segunda metade do século XVII. Permaneceu, no entanto, na posse da família Moretus, que deixou toda a gráfica intocada.

Dizem que, assim como o impressor francês Robert Estienne, Plantin colocava provas de impressão dos seus trabalhos em frente ao seu estabelecimento e prometia recompensas a quem conseguisse encontrar falhas nos seus trabalhos. Dentre os amigos e colaboradores de Plantin estava o pintor Pieter Brueghel.

A mansão Plantin foi construída em torno de um lindo jardim central. Há também uma coleção de livros e gravuras; quartos luxuosos dos proprietários, paredes das salas decoradas em couro dourado – técnica utilizada com uma fina camada de ouro, onde se pode ver a textura da pele por baixo –, pratarias, porcelanas, e muito mais.

Para ver mais fotos do Museu Plantin-Moretus, acesse nossa página no Flickr.

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Um agradecimento especial à nossa amiga Samanta L., que nos levou até o Museu. Se não fosse sua ótima sugestão, dificilmente teríamos visitado este magnífico lugar. Para nós, o diamante da Antuérpia está aqui. Valeu, amiga!

Além disso, para escrever este artigo consultamos e traduzimos livremente conteúdo das seguinte fontes:
Plantin-Moretus House-Workshops-Museum Complex (Unesco)
Plantin Press (Wikipedia)
Christophe Plantin (Wikipedia)

Voltamos!

Yeah! Viva 2012! :D

A Corrupiola está novamente em ação e renovada para o novo ano!

Nossas férias foram incríveis, com novas experiências e encontros inesquecíveis com amigos e novos amigos. Em breve vamos escrever alguns posts sobre os lugares super bacanas que visitamos.

O calor é intenso neste verão super colorido e vibrante e estamos cheios de gás, com ideias novas prontas para serem colocadas em prática! É uma nova fase que se inicia.

Nosso estoque aos poucos voltará para a loja e, se você deseja algum produto que ainda não retornou, entre em contato conosco.

Feliz Verão!!

Café da Corte, em São José

Esta semana conhecemos um lugar aconchegante e charmoso em São José, cidade onde estamos ancorados. O lugar se chama Café da Corte e fica no centro histórico da cidade, em frente ao antigo Cine York.

A história do casarão é um capítulo à parte. O imponente ‘Solar dos Neves’ foi construído provavelmente antes de 1800 e viveu dias de glória em 1845 quando o imperador D. Pedro II e a imperatriz D. Tereza Cristina visitaram Santa Catarina. Coube então, ao Coronel Joaquim Neves coordenar a recepção às suas Majestades, que estiveram nesta casa entre os dias 20 e 29 de outubro daquele ano.

O trabalho de restauração deste lugar foi de extremo cuidado e as peças do mobiliário vintage compõem uma nova história.

A  antiga senzala se transformou num local que mistura cores, aromas, tons e sabores.

A proposta do casal proprietário do Café é criar ambientes para desplugar as pessoas do cotidiano. Deu certo porque parecia que nós estávamos em outra órbita… :)

Antes passeávamos no ‘centrinho’ de bicicleta e ficávamos sentados num banco duro de concreto olhando a baía. Agora é diferente! Se a praça do centro antigo da cidade já era encantadora com suas árvores centenárias, a Igreja açoriana e o primeiro teatro de Santa Catarina, agora este cenário se aprimorou para o visitante desfrutar de boa gastronomia e música, e também admirar a bela vista para a baía com a Ilha de Santa Catarina.

Ficaremos devendo a foto da fachada e da praça deste lugar porque na saída puxou um vento Sul e chuvisco. E quando você vier para os lados de cá, não deixe de conhecer também o Bistrot Joy Joy, tão charmoso quanto, e ao lado do Café da Corte.

Mais fotos aqui.

Três anos de Corrupiola

Iupiiiiii! Hoje a Corrupiola comemora 3 anos de experiências manuais! E repartimos com você, nosso querido admirador, fã e cliente, toda a nossa alegria.

Para começar a festa, relançamos alguns Corrupios com capas em tecidos florais e bolinhas. Um mais lindo do que o outro:

Luxo total! E também fizemos mais uma impressão do Corrupio Zerograu, desta vez com tinta preta sobre papel Kraft:

Aqui neste post você confere a chapa tipográfica deste modelo cheio de detalhes.

E uma super novidade, um Corrupio impresso em tipografia onde reproduzimos um texto que descreve o submarino Nautilus de Júlio Verne:

De sobremesa, fizemos pequenos Corrupios utilizando clichês antigos que foram doados para o nosso acervo tipográfico:

E para brindar nosso aniversário, fizemos 4 Combos recheados com opções de brindes: mini-minis, marcadores de páginas e porta copos.

Obrigado cliente amigo corrupiolesco, que nos motiva e nos impulsiona para que nosso trabalho seja sempre melhor. Encha seu copo de cerveja e comemore conosco! Ainda há muito por vir e logo, logo anunciaremos muito mais novidades. Vida longa à Corrupiola!

E atenção: Hoje (dia 15/8/2011) até as 24 horas de amanhã, todos os pedidos acima de 30 reais terão 15% de desconto em nossa loja virtual!

Aviso

Olá!
Entre os dias 18 a 24 de julho estaremos em Curitiba, PR.
Nossa loja funcionará normalmente, porém não estaremos todo o tempo online.
Portanto, se você deseja comprar conosco neste período, reserve seu pedido e assim que possível responderemos a você.
Nos vemos em breve! ;)

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