A Corrupiola completa 6 anos!

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Agosto é o mês de aniversário da Corrupiola, uma data que marca não só o início da primeira postagem aqui neste blog em 2008, como também o mês no qual refletimos sobre o passado e o futuro deste pequeno empreendimento que nasceu com tanto amor para oferecer.

A felicidade é sempre grande ao olhar para trás e ter a certeza de que nossa história vem de um percurso de conquistas  (e erros também) ano após ano. A aposta em um sonho com desapego material, envolvendo a mudança de estilos de vida e também se agarrando nas belas e pequenas coisas tornaram nossa vida ainda melhor. E nossa história continuará  assim, com voos pequenos, mas seguros, apostando nas experiências contínuas e fazendo do trabalho manual nossa meta e inspiração. Isso significa ir contra uma corrente tecnológica instalada e em desenvolvimento que muitas vezes sufoca o pequeno empreendedor. Mas é bom também saber que neste mundão globalizado ainda existem pessoas sensíveis que curtem um trabalho diferente, onde a mão humana é mais importante do que uma máquina que opera de acordo com a demanda consumista. Excluímos a parte ruim da tecnologia (a produção em massa, a despersonalização…) e abraçamos a facilidade de estabelecer novos contatos através das redes sociais, independente de limites geográficos. Sem essa teia de contatos, clientes, amigos e seguidores, a Corrupiola não existiria, ou pelo menos não teria o alcance que tem hoje em tão pouco tempo de vida.

Este mundo de experiências contínuas envolve também mudar, e desde o ano passado a Corrupiola está em nova fase. Embarcamos em mais um projeto em comum: a pesquisa literária. Estar no ambiente acadêmico, entre estudantes e professores, entre livros e em busca de conhecimento, neste universo de aprendizagem contínua, é extremamente envolvente. A Corrupiola hoje se transfigura também em pesquisas e nossa experiência com os trabalhos manuais é também nosso objeto de estudo, pois a nossa pesquisa acadêmica só tem sentido em conjunto com essas práticas. O equilíbrio, portanto, se faz necessário com uma pitada de teoria e outra de prática. Dentro de um ambiente acadêmico rico em situações catalizadoras, como é a UFSC, nossos objetivos se concretizam através de pesquisas sobre criação, craft, tipografia e outras técnicas manuais de reprodução. É um novo campo de exploração que exige tempo e dedicação tão intensos quanto o trabalho manual que sempre realizamos na Corrupiola. Portanto, um certo recolhimento foi necessário nos últimos tempos, pois o labirinto de nossas novas descobertas e experiências ganha forma em outro suporte: a escrita.

Além disso, uma boa novidade que passamos a oferecer nos últimos meses, foi a produção de nossas próprias ferramentas de produção, que agora podem ser adquiridas em nossa loja e são produzidas com os mesmo cuidado e ideais que sempre buscamos na fabricação de nossos cadernos: peças únicas, montadas uma de cada vez, com toda a atenção para os pequenos detalhes e com o máximo de aproveitamento dos materiais empregado.

Também começamos a oferecer nossos serviços de impressão tipográfica para projetos de terceiros e dessas parcerias nasceram belos projetos, que logo divulgaremos em nosso novo site, que já está em produção e logo será lançado. Um site mais bonito, dinâmico e acessível, com novas ferramentas e possibilidades e é claro: com novos produtos e lançamentos que estamos preparando para os próximos meses.

E nosso abraço é para você, querido seguidor de nossas experiências corrupiolescas, que sempre nos motiva a diversificar nosso pequeno universo manual e intelectual ;-)

Definição de um artesão moderno

(Simon Mills, editor do Bespoke da Wallpaper)

Cada ideia possui uma dívida para com aqueles que vieram antes dela. O gênio do artesanato moderno consiste em fazer seu trabalho exalar um aroma verdadeiramente fresco.” (Família Nolet )

Hoje, dia 19 de março é dia do artesão. Gostaríamos de discutir o papel do artesão na sociedade em que vivemos hoje, mas por hora deixaremos apenas algumas definições que encontramos neste site, referentes ao artesão moderno. Já faz algum tempo em que estamos desenvolvendo um artigo sobre as mudanças que a palavra “Craft” vem sofrendo, suas definições ou a falta delas, mas deixaremos para um próximo momento.

O artesão moderno pode sempre inovar com materiais contemporâneos ou aproveitar a última tecnologia. Ele é capaz de desenvolver um trabalho comercialmente, sem comprometer sua autenticidade. Ele pode nos inspirar a olhar para um artesanato tradicional com um novo olhar. Seja qual for seu trabalho, ele sempre será uma reprodução única, contemporânea e criativa das técnicas mais tradicionais.”

 

“Um artesão moderno é alguém que usa os pilares do passado para construir algo indiscutivelmente contemporâneo, alguém que demanda mais de seu trabalho e arte, e assim cria seu próprio legado.”

Feliz 2013!

Que o Ano Novo traga muita alegria, paz e novas realizações!

Um abraço bem apertado em você que sempre nos acompanha :)

De bicicleta pela Transamazônica

A partir desta semana estaremos ligados nas Olimpíadas de Londres e assistindo aos atletas de todo o mundo superando seus recordes e limites físicos.

E aqui no Brasil, no dia 28 de julho, três corajosos homens darão início a uma aventura que exigirá muito esforço físico e superação. O Daniel, Marcelo e Valdinei (nosso cliente e amigo bicicleteiro!) percorrerão de bicicleta o trecho em que a BR-230, a Transamazônica, corta o estado do Amazonas.

Serão 1.228 km de estrada de terra de Lábrea, no Amazonas, até Itaituba, no Pará. A viagem deve durar dois meses e a equipe compartilhará informações que podem ser úteis a todos os que tiverem interesse em viagens de aventura, cicloturismo, bicicletas ou na Transamazônica em si.

A Corrupiola forneceu os cadernos para as observações e tudo o que for preciso anotar, e também estará ligadona nesta super aventura. Será prazeroso compartilharmos esta viagem de longe e querendo muito estar perto!

Eles poderiam tranquilamente ir de moto ou carro, sem nem precisar olhar para os lados, sem a preocupação com mosquitos, calor ou cansaço. E perder o essencial? Pedalando eles terão a vantagem de atravessar a Amazônia, a maior floresta tropical do planetacom calma e respeito. Ouvir, conviver, observar, conhecer e aprender. 

Desejamos uma ótima aventura, muita energia positiva e quando puderem, mantenha-nos informados! ;)

Para saber mais, acesse: Cicloamazonia.org ou facebook/cicloamazonia

Bibliotecas, livrarias e sebos

Acredito que o primeiro passo para se conhecer bem uma cidade é visitando sua biblioteca e examinando alguns dos elementos que a definem: sua arquitetura; a quantidade e qualidade das publicações à disposição; a cordialidade das pessoas para quem você pede informações; o silêncio dos frequentadores e por uma série de fatores que denunciam esse enclave das letras que é uma boa biblioteca, quase uma zona neutra que deveria ser tão bem protegida quanto uma embaixada.

Impossível não criticar nossa própria realidade: onde moramos, em São José, existe apenas uma biblioteca incipiente e quase desapercebida, em um edifício tombado no “Centro velho” da cidade. O lugar poderia ser perfeito, cercado de belos cafés como o Café da Corte, mas infelizmente é um depósito de livros velhos sem a devida atenção do poder público, que não mantem atualizado o catálogo de publicações disponíveis. No município vizinho, Florianópolis, a situação não é muito diferente: há pouco tempo o governo tentou municipalizar (como se fosse um peso morto) a principal biblioteca estadual, que é pouco convidativa e também incipiente. Felizmente, contamos com outras opções e além de algumas coleções particulares, temos a BU (Biblioteca da UFSC) com sua bela e aconchegante arquitetura, que nos convida a ficar e ler todos os livros.

No ano passado, quando estivemos em Curitiba, passeamos pela cidade com nosso amigo Arthur e dentre os lugares visitados, estava a imponente Bibioteca Central. Eu já conhecia e frequentava o prédio quando passei meus 7 anos de faculdade na cidade, mas desta vez era diferente, entrei na biblioteca com os olhos de visitante, não mais de frequentadora assídua. E como numa visita a um museu, estava à procura de tesouros preciosos, revendo sua arquitetura, decoração, seu contexto histórico e observando os ‘ratos’ fuçando nas estantes e também seus funcionários, que dela se alimentam todos os dias. Trabalhar numa biblioteca deve ser extraordinário!

Em nossa recente viagem ao Velho Mundo não foi diferente. Visitamos todas as bibliotecas que pudemos, e também lojas de livros e sebos. Nosso olhar estava voltado para o papel, para os livros.

Nas fotos acima e abaixo, vemos a Biblioteca de Bruges, na Bélgica. Uma cidade com quase 117 mil habitantes e com uma biblioteca muito aconchegante. Muitas pessoas circulando, crianças brincando, jovens escutando música, adultos pesquisando, idosos descansando. Todas as idades num lugar realmente convidativo.

Wi-fi para todos!

Abaixo, uma foto da Biblioteca da Antuérpia, também na Bélgica. Muitos HQs e jovens circulando dentro do prédio. Um lugar de leitura e lazer.

Em Londres, na British Library eu imaginava encontrar esta foto do meu imaginário. E foi difícil aceitar que aquela imagem não existe mais, segundo nos informou uma funcionária. A Biblioteca é relativamente nova — se comparada a todos os outros prédios da cidade — e as salas de leitura são acessíveis apenas aos frequentadores cadastrados. Como estávamos de passagem só foi possível circular pelas áreas comuns. No centro da Biblioteca há um cubo de vidro enorme, com muitas estantes de livros, e o acesso ao interior do cubo é somente para funcionários, mas o visitante circula o cubo de livros o tempo todo, tanto nas escadarias, como também na cafeteria e espaços de descanso.

UPDATE 24/04/2012: A British Library fica ao lado da estação St. Pancras e o acesso é muito fácil e um passeio imperdível para quem está em Londres. A Biblioteca tem salas de exposições temporárias e permanentes (grátis) e lá é possível ver de perto originais e manuscritos raríssimos como um exemplar da primeira bíblia impressa por Gutemberg, manuscritos de Shakespeare e Sir Conan Doyle, e até os rabiscos e doodles de letras que originaram as músicas dos Beatles, alguns sobre guardanapos que provavelmente foram escritas em algum pub de Liverpool!

Abaixo, fotos de uma loja de livros em Utrecht, na Holanda.

E um sebo com uma escultura muito inspiradora na Antuérpia:

Para o Arthur, que está de malas prontas, e para todos os viajantes, boa aventura!