Codex Rotundus

Os manuscritos e códices que sobrevivem a partir do final do século XV são freqüentemente volumes grandes e extravagantes e geralmente se ajustam a certas normas em termos de forma. Mas esta pequena jóia curiosa e incomum, que leva o nome de “Codex Rotundus” a partir de sua forma original, mede pouco mais de 9 centímetros de diâmetro e é circular. Suas 266 páginas são encadernadas ao longo de uma lombada de apenas 3 cm de comprimento, tão pequena que são necessários três grampos para ajudar a mantê-la fechada. Provavelmente foi restaurado no século 17 e os colchetes originais que ajudam a manter o minúsculo códice unido, foram reutilizados. Como muitos dos manuscritos deste período, é um texto devocional – um livro missal escrito em latim e francês e ricamente ilustrado.

Remanescentes de um brasão de armas, que um dono subseqüente parece ter tentado obliterar, na primeira inicial “D” sugere que ele foi criado para Adolf of Cleves e Mark (1425-92). Adolf era um aristocrata rico e bem relacionado, sobrinho de Filipe, o Bom, e primo de Charles, o corajoso Duque de Borgonha. Os colchetes são monogramas e estes também ligam o códice a Adolf: as mesmas decorações estilizadas aparecem em outro Livro de Horas conhecido por ter sido dele e agora mantido pela Galeria de Arte Walters em Baltimore. Apesar das associações reais e corteses do códice, seu tamanho e portabilidade sugerem que ele foi destinado ao uso devocional privado, para o proprietário levar com ele para a igreja ou em longas viagens fora de casa.

A forma é certamente um truque bibliográfico – a História do Livro de Cambridge refere-se a ela como “bizarra” – mas também sugere a perfeição do círculo e da esfera e assim simboliza o mundo (cristão).

As iluminuras – 3 miniaturas de página inteira e 30 iniciais decoradas – mostram cenas da Bíblia, episódios da vida de Cristo, incluindo sua cruscificação e imagens de santos. O artista não é identificado, conhecido apenas pela história como “o pintor do Codex Rotundus”, mas de acordo com a Biblioteca de Manuscritos e Livros Raros da Universidade de Ohio (que adquiriu uma cópia de fac-símile requintada há alguns anos) certos traços estilísticos indicam que foi feito por volta de 1480 em uma oficina de Bruges, muitas vezes associada aos livros da corte da Borgonha.

O texto para este post foi traduzido de duas fontes:
Dombibliothek Hildesheim (na Alemanha, onde o livro original se encontra)
Book Adiction (que escreveu o artigo usando como referência o fac-símile)

3 comments

  1. Maria Aparecida de Jesus disse:

    Fantástico, muito interessante.

  2. Raquel G. Queiroz disse:

    Adorei o post. Muito legal a referencia.

  3. Jan disse:

    Fanstastic gem!

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