Acredito que o primeiro passo para se conhecer bem uma cidade é visitando sua biblioteca e examinando alguns dos elementos que a definem: sua arquitetura; a quantidade e qualidade das publicações à disposição; a cordialidade das pessoas para quem você pede informações; o silêncio dos frequentadores e por uma série de fatores que denunciam esse enclave das letras que é uma boa biblioteca, quase uma zona neutra que deveria ser tão bem protegida quanto uma embaixada.

Impossível não criticar nossa própria realidade: onde moramos, em São José, existe apenas uma biblioteca incipiente e quase desapercebida, em um edifício tombado no “Centro velho” da cidade. O lugar poderia ser perfeito, cercado de belos cafés como o Café da Corte, mas infelizmente é um depósito de livros velhos sem a devida atenção do poder público, que não mantem atualizado o catálogo de publicações disponíveis. No município vizinho, Florianópolis, a situação não é muito diferente: há pouco tempo o governo tentou municipalizar (como se fosse um peso morto) a principal biblioteca estadual, que é pouco convidativa e também incipiente. Felizmente, contamos com outras opções e além de algumas coleções particulares, temos a BU (Biblioteca da UFSC) com sua bela e aconchegante arquitetura, que nos convida a ficar e ler todos os livros.

No ano passado, quando estivemos em Curitiba, passeamos pela cidade com nosso amigo Arthur e dentre os lugares visitados, estava a imponente Bibioteca Central. Eu já conhecia e frequentava o prédio quando passei meus 7 anos de faculdade na cidade, mas desta vez era diferente, entrei na biblioteca com os olhos de visitante, não mais de frequentadora assídua. E como numa visita a um museu, estava à procura de tesouros preciosos, revendo sua arquitetura, decoração, seu contexto histórico e observando os ‘ratos’ fuçando nas estantes e também seus funcionários, que dela se alimentam todos os dias. Trabalhar numa biblioteca deve ser extraordinário!

Em nossa recente viagem ao Velho Mundo não foi diferente. Visitamos todas as bibliotecas que pudemos, e também lojas de livros e sebos. Nosso olhar estava voltado para o papel, para os livros.

Nas fotos acima e abaixo, vemos a Biblioteca de Bruges, na Bélgica. Uma cidade com quase 117 mil habitantes e com uma biblioteca muito aconchegante. Muitas pessoas circulando, crianças brincando, jovens escutando música, adultos pesquisando, idosos descansando. Todas as idades num lugar realmente convidativo.

Wi-fi para todos!

Abaixo, uma foto da Biblioteca da Antuérpia, também na Bélgica. Muitos HQs e jovens circulando dentro do prédio. Um lugar de leitura e lazer.

Em Londres, na British Library eu imaginava encontrar esta foto do meu imaginário. E foi difícil aceitar que aquela imagem não existe mais, segundo nos informou uma funcionária. A Biblioteca é relativamente nova — se comparada a todos os outros prédios da cidade — e as salas de leitura são acessíveis apenas aos frequentadores cadastrados. Como estávamos de passagem só foi possível circular pelas áreas comuns. No centro da Biblioteca há um cubo de vidro enorme, com muitas estantes de livros, e o acesso ao interior do cubo é somente para funcionários, mas o visitante circula o cubo de livros o tempo todo, tanto nas escadarias, como também na cafeteria e espaços de descanso.

UPDATE 24/04/2012: A British Library fica ao lado da estação St. Pancras e o acesso é muito fácil e um passeio imperdível para quem está em Londres. A Biblioteca tem salas de exposições temporárias e permanentes (grátis) e lá é possível ver de perto originais e manuscritos raríssimos como um exemplar da primeira bíblia impressa por Gutemberg, manuscritos de Shakespeare e Sir Conan Doyle, e até os rabiscos e doodles de letras que originaram as músicas dos Beatles, alguns sobre guardanapos que provavelmente foram escritas em algum pub de Liverpool!

Abaixo, fotos de uma loja de livros em Utrecht, na Holanda.

E um sebo com uma escultura muito inspiradora na Antuérpia:

Para o Arthur, que está de malas prontas, e para todos os viajantes, boa aventura!